Recentemente, publiquei em minhas redes sociais um pedido de indicações de assuntos que interessassem os leitores, para que eu pudesse preparar um material especial pra vocês. Muitas pessoas pediram dicas de Viagem BBB(Boa bonita e barata), receitas rápidas enquanto outras pediram dicas de leitura. Irei atender cada uma das solicitações e por isso começarei dando uma valiosa dica de leitura.
Confesso que, quando comecei este projeto do blog, tinha a intenção de postar periodicamente dicas de leitura pra vocês, mas os assuntos foram surgindo e não postei. Até porque tenho um gosto bem específico de leitura, e confesso que pouquíssimas pessoas ao meu redor gostam das mesmas leituras que eu. Fiquei receosa de postar algo que não fosse interessante. Meus livros são voltados a histórias de guerras, principalmente sobre a segunda guerra mundial, leio muito sobre nazismo e a sociedade alemã em tempos de guerra e sobre histórias reais de lutas das mulheres em determinado momento da história. Leio também romances espíritas, claro que muitos também leem, mas confesso que pouco se fala sobre isso em rodas de bate-papo o que me causa tristeza, pois adoraria discutir sobre um livro lido, uma ideia formada com base em algum livro dos gêneros que eu aprecio.
A escolha de hoje é muito significativa pra mim, adianto que não é um livro de romance, de contos de fadas, de fantasia. O livro é sobre a dura realidade vivida pelas mulheres na Líbia no tempo da ditadura de Muamar Kadafi (o livro retrata este período).
É um livro incomum, forte, inquietante, revoltante mas de leitura fundamental.
O livro "O Harém de Kadafi" da jornalista Annick Cojean foi publicado em 2012, um ano após a morte do ditador e retrata a história real de Soraya (nome fictício), uma garota jovem que foi "raptada" com o consentimento (inconsciente) da própria família, pelo exército do ditador Muamar Kadafi e perdeu sua infância e adolescência escrava do ditador. Fato culturalmente "comum" na Líbia de Kadafi. Pasmem!
Kadafi ficou muito famoso por "permitir" muitos direitos às mulheres como o estudo e "liberdade" . Muamar Kadafi implantou no exército uma ala feminina, no qual estudavam e trabalhavam mulheres em prol da revolução.
O livro o "O Harém de Kadafi" é dividido em duas partes a primeira nomeada "O Relato de Soraya" no qual é contada a história de vida da protagonista até a morte do ditador, com detalhes fortes e revoltantes. Ao contrário do que Kadafi tentava expor e fazer com relação as mulheres dando-lhes liberdade e autonomia, o livro relata sua real e perversa intenção. Relata a rigidez com que comandava o regime e suas excentricidades. Neste momento o livro relata a aflição das mulheres prisioneiras envolto no conformismo e interesses de status social. Pasmem novamente!
No segundo momento, chamado "A investigação" é exposto as entrevistas feitas com Soraya e seus familiares após sua libertação e morte de Kadafi. Neste capítulo é possível notar todas as indignações, questionamentos, ânsias e medos ao pensar no futuro que chegou.
"Com grande revolução na Jamahirya, afirmamos
nosso respeito às mulheres e erguemos sua
bandeira. Decidimos libertar totalmente as
mulheres da Líbia, arrancado-as de um mundo de
opressão e submissão, para que sejam donas do
próprio destino em um ambiente democrático no
qual terão as mesmas oportunidades que os outros
membros da sociedade(...)
Convocamos uma revolução para a libertação das
mulheres da nação árabe, e essa é uma bomba que
sacudirá toda a região e levará as prisioneiras dos
palácios e dos mercados a se revoltar contra seus
captores, exploradores e opressores. Esse apelo
sem dúvida terá ecos profundos e repercutirá por
toda a nação árabe e pelo mundo. Hoje não é um
dia comum, mas o início do fim da era do harém e
das escravas(...)"
MUAMAR KADAFI, 1º de setembro de 1981, aniversário
da revolução, apresentando ao mundo as primeiras
graduadas da Academia Militar Feminina
Fonte: Internet
Por muito tempo optei por não ler nada a respeito, por medo do que viria, por achar que eu não tinha nada a ver com a história, ou por não estar preparada pra ler assuntos que iriam me inquietar, mexer com a minha zona de conforto. Porém, após fazer uma leitura como esta, entendi que não podemos ficar indiferentes a esta situação(e outras), precisamos conhecer minimamente a história do nosso país, nosso mundo e não menos importante: do nosso gênero.
Por inúmeras limitações talvez não consigamos ajudar diretamente, mas ao propagar a história, o conhecimento, podemos nos tornar provas vivas do relato feito por Soraya e pelas mulheres da Líbia, evitando e lutando para que isso nunca mais se repita em no mundo.
Este livro é recomendado para maiores de 18 anos, pois contem linguagem erótica e violenta, caso você seja menor de idade, sugiro consultar seus pais ou responsáveis para a leitura deste título.Por inúmeras limitações talvez não consigamos ajudar diretamente, mas ao propagar a história, o conhecimento, podemos nos tornar provas vivas do relato feito por Soraya e pelas mulheres da Líbia, evitando e lutando para que isso nunca mais se repita em no mundo.
Boa leitura.
TMJ
Helô


Eu sinceramente fiqueicom vontade de ler...gosto muito desse tipo de leitura, sempre quis me formar em Historia!!! Gosto muito de historia que narra a realidade...
ResponderExcluir